Egípcios em Braga

Egípcios em Braga Minho Free Walking Tours

O projeto Minho Free Walking Tours teve início em 6 de fevereiro de 2016. Desde o princípio contamos com a participação de turistas provenientes de diversos países. Alguns originários dos sítios mais remotos que possamos imaginar! Contudo, apenas no dia 30 de Julho de 2016 contamos com a participação de visitantes egípcios.

Eram dois jovens que estavam a viajar pela Europa. Tinham ficado instalados no Porto e decidiram passar o Sábado em Braga. Quando chegaram ao Arco da Porta Nova integraram um grupo bastante heterogéneo, constituído por turistas canadianos, espanhóis, italianos e portugueses. Rapidamente estes dois jovens se destacaram neste pequeno melting pot que as “free walking tours” proporcionam. Principalmente pela constante interacção revelada, não só com os restantes elementos do grupo, mas sobretudo com o guia porque mostraram enorme interesse sobre a monumentalidade de Braga e suas estórias pitorescas. Estes jovens, bastante simpáticos, queriam saber tudo sobre a Sé Catedral, sobre a Igreja de Santa Cruz ou sobre o Bom Jesus

Egípcios em Braga Minho Free Walking Tours

Fotografia cedida pela Minho Free Walking Tours

Mas de tudo o que foi transmitido durante a visita à cidade, aquilo que os fez prender total atenção foi algo que estava directamente relacionado com a sua cultura e que eles consideraram inimaginável. Mais ainda depois de terem assistido à explicação introdutória do guia sobre as raízes do cristianismo em Braga e suas ancestrais tradições católicas. Na verdade, a existência de uma inscrição epigráfica evocativa da deusa pagã egípcia Isis, integrada numa parede exterior da Sé Catedral visível na rua da Nossa Senhora do Leite, deixou estes jovens incrédulos. Mas não só, também os restantes visitantes se mostraram bastante interessados.

Novamente o guia teve de recorrer à História, mais propriamente aos primeiros séculos de ocupação romana para tentar explicar tal evocação. A pedra incrustada na Catedral, colocada estrategicamente para ser lida, é conhecida desde o século XVIII. A interpretação de especialistas refere que se trata de um culto da mitologia egípcia, adoptado pelos romanos e que se difundiu na Hispânia a partir do século II. O culto a Isis estava associado à maternidade, à fertilidade ou à natureza. A inscrição alude à devoção da sacerdotisa Lucrécia Fida por esta divindade e sugere que possa ter pertencido à estrutura de um outro templo de origem pagã.

Martinho de Dume que pudemos ver na fachada da Sé Catedral, natural da Panónia, antes de vir para Braga para converter os bárbaros suevos no século VI ao cristianismo, viveu como asceta no deserto da Nítria, no Egipto. Esta experiência de total isolamento material foi fundamental na moldagem da sua personalidade. As extremas dificuldades e limitações vividas no deserto tornaram-no mais vigoroso para enfrentar a árdua tarefa evangelizadora que desempenhou com sucesso na Península Ibérica.

Os turistas egípcios sentiram-se orgulhosos. Afinal estava-se a falar da sua cultura ancestral, algo que não pensariam testemunhar numa cidade católica situada no extremo ocidental da Europa.

Mas o guia aproveitou para surpreendê-los ainda mais. Decidiu falar-lhes do salão egípcio localizado na Rua do Souto mas que não poderia ser visitado por ser privado. O salão, que se situa num edifício setecentista, é composto por figuras parietais pintadas nos anos 30 do século XX e que remetem para réplicas de imagens do templo do faraó Ramsés III situado em Luxor, no Egipto. São o resultado de um gosto pelos temas exóticos que caracterizaram o romantismo tardio em Portugal. O guia advertiu para o facto destas pinturas de grande valor se encontrarem em avançado estado de degradação e puderem vir a desaparecer.

Salão Egípcio Braga

Fotografia retirada do artigo Braga ainda guarda muitos tesouros que o público não pode ver do jornal Público, de 11/06/2017

Mas as surpresas não ficariam por aqui. Depois de conferir sua hipotética apetência pelo desporto, mais propriamente pelo futebol, o guia revelou que um dos principais jogadores de futebol do Sporting Clube de Braga era egípcio e chamava-se Ahmed Hassan, apelido homónimo de um dos turistas! Também conhecido por “Koka”, Hassan é avançado e já estava há vários anos a jogar em Portugal. Veio para Braga em 2015 e é carinhosamente apelidado pelos adeptos por “faraó” já que é um dos ídolos mais acarinhados do clube, principalmente quando marca muitos golos. Os jovens egípcios nunca tinham ouvido falar deste jogador, mas ficaram com curiosidade para pesquisar mais sobre a sua carreira. Não só de futebol prometeram procurar saber mais, mas principalmente sobre a cidade de Braga, que acharam encantadora, cheia de curiosidades e alguns mistérios…


Este artigo foi escrito pela Minho Free Walking Tours

 

 

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