As celebrações de Natal em Braga começam no Bananeiro

Bananeiro, tradição de Natal em Braga - fotografia de Daniel Camacho

Em Braga as celebrações de Natal começam com bananas e vinho moscatel. A tradição bracarense manda “comer uma banana e beber um banano” nas horas que antecedem a ceia de Natal.

O “Bananeiro”, nome pelo qual o ritual é conhecido, acontece no centro da cidade, na emblemática Rua do Souto, e conta com a presença de milhares de bracarenses que aproveitam este momento para trocar entre si votos de Boas Festas.

Bananeiro, tradição de Natal em Braga - fotografia de Daniel Camacho

Casa das Bananas em Braga no Natal: paragem obrigatória

Em Braga, são muitos os locais que convidam a encontros de Natal mas é na Casa das Bananas que se faz sentir o verdadeiro espírito natalício.

A Rua do Souto é preenchida por luz, pessoas e muitas conversas. A par dos clientes habituais que não abdicam da tradição, reconhecem-se facilmente aqueles que fascinados pela curiosidade em experimentar a famosa combinação da banana com moscatel, juntam-se à multidão para nunca mais faltarem.

Lembranças que contam outras histórias do número 26

Com o entardecer, várias são as pessoas que se vão aproximando da porta com o número 26. Juntos brindam, sorriem, recordam histórias e participam de um convívio diferente: numa mão um copo de moscatel, na outra uma banana!

As paredes daquele que é um dos estabelecimentos mais antigos da cidade são testemunhos de momentos de partilha. O Bananeiro é no fundo, um espaço de união e de calor humano, que nos dias que correm é cada vez mais incomum.

Bananeiro, tradição de Natal em Braga - fotografia de Daniel Camacho

A recordação de uma antiga tradição: os “Toquinhos”

Em tempos em que era difícil aos bracarenses acederem a certas iguarias consideradas luxo – como as bananas e licores engarrafados nas típicas garrafas das Caldas da Rainha de formatos fálicos e outras formas exóticas – a Casa das Bananas resolve inventar os “toquinhos”!

Mas o que eram os “toquinhos”?

Nada mais, nada menos que restos bons de bananas, cortadas em pequenos discos com cerca de dois a três centímetros de espessura.

Estes discos faziam muito sucesso e eram vendidos à molhada fazendo as delícias das crianças. Mas não eram os únicos. Também os adultos surgiam em grupos de amigos e partilhavam momentos de descontração e degustação, em especial com o acompanhamento de determinadas bebidas brancas.

Com os anos a tradição foi-se alterando. O estabelecimento aumentou e o modelo de negócio evoluiu, pelo que, nas últimas quatro décadas novos costumes surgiram.

E foi na época natalícia que se vincou uma das tradições preferidas: “comer uma banana e beber um banano”! Este hábito, para além de se manter vivo, tem vindo a ganhar de ano para ano maior notoriedade, chamando a atenção do resto do país.

Origem do Tradicional Natal do Bananeiro

O Natal do Bananeiro surge há quarenta anos atrás quando comerciantes da Rua do Souto se decidiram reunir à porta do número 26, ao final da tarde do dia 24 de dezembro, com o objetivo de desejar “Boas Festas” a conhecidos e desconhecidos, acompanhados de um cálice de vinho moscatel e uma banana.

Ano após ano, o convite foi passando de boca em boca e novos adeptos foram chegando. Um balcão foi montado à entrada do estabelecimento para melhor receber a crescente clientela. A rua tornou-se pequena para tanta gente. Atualmente, este é um acontecimento que se pode comparar a um pequeno São João.

Bananeiro, tradição de Natal em Braga - fotografia de Daniel Camacho

Natal do Bananeiro: Guia para a primeira vez

Dicas para quem deseja participar no Bananeiro pela primeira vez:

  1. No dia 24 não se esqueça: comece cedo a preparar a consoada. O bacalhau e as batatas, a doçaria tradicional, a toalha festiva, os pratos e os copos devem ir cedo para a mesa, para que a meio da tarde consiga dar um saltinho ao Bananeiro.
  2. Pode trazer a garrafa de Moscatel de baixo do braço e a banana na mão. Ou então, não se esqueça da carteira, pois ambos os ingredientes principais da tarde estão à venda na Casa das Bananas.
  3. Guarda-chuva na mochila. Estamos em Braga e probabilidade da chuva dar um ar da sua graça é elevada. Porém, não se preocupe porque nem isso o fará arredar pé mais cedo.
  4. Boa disposição! Com ou sem bananas, com ou sem moscatel, é tudo o que verdadeiramente precisa!

Aceita o convite? Encontramo-nos lá! Tchim-Tchim e Boas Festas!!


As fotografias deste artigo são da autoria de Daniel Camacho.

http://danielcamacho.pt/

https://www.facebook.com/dcamachophotos/


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