Praça do Município, bem vindos à Praça do Barroco!

Praça do Município

Uma das praças de Braga que merece mais elogios por parte dos participantes nas Minho Free Walking Tours é a Praça do Município. Após atravessarem a Rua da Misericórdia, todos aqueles que desconhecem esta praça, não deixam de manifestar o deslumbre pela decoração das fachadas de dois dos edifícios mais icónicos da urbe bracarense: o edifício da Câmara Municipal e a fachada da Biblioteca da Universidade do Minho. Ambos conferem à Praça do Município um fascinante sentido cenográfico, devido essencialmente ao traço genial do arquitecto André Soares.

Biblioteca Municipal Praça do Município

Se podemos afirmar que Braga é uma referência do estilo Barroco em Portugal, muito se deve a esta praça. Por isso, o guia não pode deixar de afirmar isso aos turistas, dando-lhes as boas vindas à “Praça do Barroco”! Este espaço remonta ao século XVI, na altura em que servia como um dos campos agrícolas pertencente ao Palácio Episcopal. Nesta altura, os edifícios acima mencionados estavam longe de ser uma realidade. Mais tarde, as hortas privadas dos senhores de Braga, os arcebispos, deixaram de existir e o espaço torna-se um lugar de usufruto público com a criação de um Campo de Touros, por aí se realizarem recreações com estes animais.

Câmara Municipal Praça do Município

Na segunda metade do século XVIII a praça adquire parte da monumentalidade que reconhecemos hoje. O arcebispo D. José de Bragança, irmão do rei de Portugal, toma a decisão de mandar edificar, virada para a praça, uma nova ala do Palácio dos arcebispos em 1751. Poucos anos depois, por sua vontade, mas através de empréstimos concedidos pela Confraria da Nossa Senhora da Conceição do Monte das Penas e o Santuário de Nossa Senhora de Porto de Ave que estavam sobre a alçada do arcebispo de Braga, foi construído defronte o edifício da Câmara Municipal.

Biblioteca Municipal Praça do Município

Os edifícios foram construídos em dois níveis de cota diferentes. O edifício eclesiástico situa-se num patamar superior. Este pormenor construtivo reveste-se de grande simbolismo e é o pretexto ideal para explicar aos nossos visitantes que o poder eclesiástico foi hegemónico ao longo dos séculos em Braga. Neste ponto, os turistas podem atestar de forma sublime o já conhecido título de “Cidade dos Arcebispos”.

Em 1763 o sucessor de D. José, seu sobrinho, D. Gaspar de Bragança, resolveu concentrar na praça alguns dos mercados que estavam dispersos pela cidade. A partir deste momento, o espaço passou a estar vocacionado para o exercício da actividade comercial. A Praça do Município foi alvo de uma transformação radical nos inícios do século XX quando foi implantado um amplo mercado público coberto em ferro. O edifício, desenhado pelo arquitecto João de Moura Coutinho, viria a ser desmontado em 1955, libertando o espaço e imprimindo à Praça do Município o cariz monumental que ostenta.


Fotos retiradas do bloguedominho.blogs.sapo.ptalfarrabiosdebraga.blogspot.com, respetivamente.

André Soares foi responsável pela dinamização artística das construções religiosas e civis em Braga nos meados do século XVIII. A fachada da actual Biblioteca Pública é formada por três andares. Possui três corpos quadrangulares. O corpo central encontra-se recuado e possui uma varanda eminentemente decorativa. As linhas curvilíneas e os concheados são típicos do traçado artístico de Soares. Na fachada da Câmara destaca-se a porta-nicho-frontão de grande volume e dinamismo patente no trabalho curvilíneo das volutas. Também os concheados ornamentam as varandas e janelas que preenchem toda a fachada do edifício.

Biblioteca Municipal Praça do Município Biblioteca Municipal Praça do Município

Os turistas, principalmente os nórdicos, acham curioso a existência de um nicho com a virgem Maria num edifício civil mas que logo compreendem pela predominância da influência religiosa na cidade.

Quem visita a Praça do Município não pode ficar alheio à também barroca Fonte do Pelicano mandada executar por D. José de Bragança. Por mais que o guia informe que a fonte tem essa designação, salta aos olhos que a representação da ave na fonte não se trata de um pelicano… Todavia, a disposição das figuras tinha como finalidade representar o conhecido “Pelicano Eucarístico” já que a escultura representa as crias alimentando-se do peito da ave que tinha sido já bicado pela mesma, em correlação com o sacrifício de Jesus Cristo que também deu a sua própria carne e sangue para alimentar o povo. Esta ave está pousada sobre a esfera armilar, um dos símbolos que faz parte da heráldica nacional, representando, neste caso, o próprio país e a influência que a religião católica aqui tem.

Fonte do Pelicano Praça do Município Fonte do Pelicano Praça do Município Fonte do Pelicano Praça do Município

Quem recebe estas informações nesta praça tão simbólica, agradece desde logo a possibilidade de o fazer com um guia de uma forma descontraída, mas ao mesmo tempo tão pormenorizada. Muitas vezes os participantes das Minho Free Walking Tours têm o privilégio de visitar com os guias o interior dos próprios edifícios e isso é a cereja no topo do bolo para quem quer conhecer mais profundamente uma cidade.

MinhoFreeWalkingTours Praça do Municipio


Este artigo foi escrito pela Minho Free Walking Tours

 

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